Taí uma discussão que acho um saco, ou melhor, uma droga. São sempre os mesmos argumentos falaciosos. Resolvi reunir uma coletânea deles e explicar o porquê de não terem sentido algum. Em negrito, os argumentos mais comuns dos pró-liberação, logo abaixo deles, as réplicas feitas por mim. Vamos lá:

Usar drogas é como usar qualquer outra coisa, açúcar, coca-cola, etc. Mas só falam das drogas não liberadas.

Drogas são altamente viciantes e destrutivas, mesmo em pequenas doses. Dependendo da droga, traz problemas até pra quem estiver por perto.

Drogas só fazem mal a quem está usando, que tem o direito de escolher usar ou não.

Viciados costumam roubar coisas de seus parentes para sustentar o vício, matando se necessário. Liberar é aumentar ainda mais o número desses viciados.

A criminalidade não aumentou por causa das drogas. Antes de 1962 não havia crime organizado e algumas drogas eram liberadas.

Antes de 1962, o próprio crime organizado não era forte porque

- Sequer era organizado, no caso do Brasil

- Presos políticos não eram misturados com presos comuns

- Os direitos dos presos eram menores em todo o mundo

- A própria população era quase 3 vezes menor

- A favelização não era tão forte como é hoje

- Não havia a apologia forte à droga, esta surgiu no movimento hippie.

– O crack só surgiu na década de 80, a maconha não dava barato suficiente com a crescente demanda do vício e a cocaína era cara demais

– Não houve iniciativas de políticos como o Brizola, que protegiam bandido

A maconha é inofensiva por si só, o sujeito dá só uma tragada e acabou.

A maconha é porta de entrada pra drogas mais pesadas, como comprovam pesquisas.

Legalização acaba com o tráfico, pois este não conseguiria concorrer com as empresas.

– Se a legalização de algo acabasse com o tráfico, DVDs, bebidas, peças de carro, tênis, sinal de tv a cabo, produtos eletrônicos, nada disso seria contrabandeado. O tráfico sempre levará vantagem sobre a concorrência privada, pois não paga impostos, rouba, é mais experiente e, portanto, pode prestar um serviço mais eficiente e com menos custos. Venderá mais barato ? Sim, mas venderá em escala ainda maior, pois a propaganda da droga será maior. A Colômbia não deixará de vender drogas, da mesma forma que no Paraguai o contrabando não acabou. Não é à toa que a legalização de drogas está em pauta, visto que boa parte do crime organizado está infiltrada na política. Por fim, a máfia surgiu no século XIX e nunca deixou de existir quando drogas foram liberadas.

A liberação fará bem à economia, o governo obterá impostos, que serão revertidos para a população em geral.

- O governo já gasta bastante todo ano em propaganda de combate ao fumo e ao álcool, sem falar no tratamento de viciados. Gastará consideravelmente mais se a coisa for liberada, pois será de fácil acesso a qualquer um. Se os prejuízos causados pela droga não fossem tão grandes perto dos “benefícios”, não haveria tanta legislação pra coibir o uso das drogas já liberadas (álcool e cigarro).

A proibição não impede que as pessoas consumam drogas, só torna aos olhos das pessoas o usuário como um criminoso.

– De fato, a liberação não fará diferença pra quem já é viciado, pois este vai atrás da droga de qualquer jeito. Mas faz enorme diferença pra alguém que, em situações normais, nunca subiria um morro e se manteria longe das drogas por ser ilícito, caso da maioria das pessoas. Praticamente todos usam álcool por causa do fácil acesso e propaganda liberada, mas quem usa drogas é uma minoria.

Basta proibir o consumo em locais públicos e as drogas não atrapalham a vida de ninguém.

– Proibir em locais públicos já se mostrou inútil, como vemos com o cigarro. A diferença é que a fumaça do cigarro não entorpece ninguém. A fumaça da maconha já foi comprovada ser capaz de entorpecer alguém tanto quanto o próprio cigarro de maconha. Hoje, com a droga proibida, é consideravelmente mais raro ver alguém fumando maconha em público do que fumando cigarro.

A liberação faria com que as pessoas não procurassem mais o tráfico e passassem a plantar apenas em casa, para consumo próprio.

– A pessoa precisaria de um verdadeiro sítio pra sustentar o vício da maconha. Um viciado clássico em cigarros fuma 3, 4 maços de cigarro por dia. Não creio que os viciados de maconha sejam comportadinhos e só fumem um cigarro de vez em quando.

Drogas têm que ser liberadas. Álcool e cigarro já são e ninguém fala nada.

– Permitir o fumo e o álcool não significa que drogas pesadas devam ser liberadas. Um erro não justifica o outro. Se você usa este argumento, deveria lutar para que estas drogas passem a ser proibidas, ou, ao menos, que tenham seu uso limitado.

Um usuário de drogas é inofensivo. Tem muita gente que bebe e cria confusão e ninguém fala em proibir o álcool.

– Pessoas sob o efeito de drogas são consideravelmente mais violentas do que em condições normais, batendo em esposas, filhos, pais. Não se esqueça de rever o parágrafo anterior.

Não tem que reprimir o usuário, tem que liberar e conscientizá-lo.

– Liberar algo ruim e fazer propagandas contra é tão estúpido quanto permitir o assassinato e achar que propagandas serão suficientes pra impedir que as pessoas matem. As duas coisas devem ser feitas em conjunto: repressão e conscientização.

A proibição não impediu que o número de usuários de drogas continue crescendo, então vamos liberar de uma vez.

- A proibição só não é ainda mais eficiente pelo mesmo motivo de outros crimes continuarem acontecendo: corrupção, falta de policiamento, de verbas, sistema penitenciário que necessita de reformulação, degeneração de valores morais e éticos. Não é rasgando o código penal que os problemas sociais desaparecerão. Vamos combater, então, a raiz do problema, ao invés de criar outros.

A liberação fará com que muita gente que só fumou unzinho, gente trabalhadora, que só queria relaxar, volte pra sociedade e produza novamente.

– Precisaremos também automaticamente libertar todos os traficantes. E todos nós sabemos que traficante é tudo gente boa, honesta e que era prejudicado pela droga ser ilegal, não é ? Fernandinho Beira-mar vai estar de volta trazendo a melhor droga pra você com o menor preço.

Outros países liberaram as drogas e são casos de sucesso ! Veja a Holanda e Christiania.

– Países que liberaram drogas hoje sofrem as conseqüências disso e estão revendo políticas. Comunidades anarquistas como Christiania, que liberaram apenas a maconha, enfrentam grandes problemas com a crescente utilização de drogas pesadas.

A liberação não seria pra qualquer um, é só pra maior de 18, responsável pelo que faz. Menores continuariam proibidos, longe do vício.

– A liberação seria pra maiores de 18 anos, certo ? No entanto, o que é mais fácil: ver um menor de 18 subindo sozinho o morro pra comprar drogas, ou indo no bar, na drogaria ou até mesmo em casa tendo acesso de forma ilícita ? O que você faria se visse teu filho de 10 anos fumando crack com os amiguinhos mais velhos, que acabaram de comprar a droga na farmácia da sua esquina ? Proibindo pra todos fica mais fácil de fiscalizar, já que se trata de um item completamente supérfluo.

Nosso país seria visto como de vanguarda na liberação, um país de gente mente aberta, que não tem preconceitos. É preciso ser pioneiro para tentar e ver se não dá certo.

- O fato de um país isolado tomar esta atitude só atrairia milhares de viciados pra cá. Da mesma forma que a maior parte do movimento diário de Christiania é composto por viciados que aproveitam um lugar liberado para usar drogas, aqui seria o paraíso da droga. Imagine o Lula com seu LSD apertando a mão de ilustres traficantes e firmando acordos de cooperação com os demais países da América Latina para facilitar a vinda de turistas usarem drogas por aqui, argumentando que isso trará receitas pra nação e será bom pra todos.

Temos a experiência da lei seca, que proibiu o uso de bebida alcoólica e foi aí que surgiu a máfia, que lucrava com o monopólio da venda de bebidas alcoólicas (carece de fontes). Então foi a proibição das demais drogas que fez o tráfico surgir, por dispor do monopólio da venda com o uso da violência.

– O fim da lei seca não só não impediu o consumo de bebidas, como este aumentou consideravelmente nas últimas décadas. Bebidas caras continuam contrabandeadas e falsificadas. Não obstante, hoje precisamos criar novas leis, como a nova lei seca, pra compensar o considerável aumento no número de desastres de carro provocados pelo efeito entorpecente.

E você, leitor, tem um argumento original ? Exponha o seu e continuemos o debate.

Abraços !

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